Lagartas de Sistema Agrícola

por André Barabach

O avanço da biotecnologia BT está proporcionando constantes mudanças e grandes desafios em relação às pragas e manejo de lagartas.

A agricultura brasileira evoluiu muito nas últimas décadas graças ao desenvolvimento e implementação de diferentes tecnologias como: melhoramento genético, sistemas de irrigação, plantio direto, rotação de culturas, introdução de transgenias, entre outras.

A adoção dessas tecnologias fez com que a agricultura se fortalecesse nas regiões tradicionais de produção e, ao mesmo tempo, avançasse em regiões onde antes não imaginávamos ser possível produzir, como é o caso do Cerrado brasileiro e região norte do país. Além disso, elevou a produção do Brasil a patamares invejáveis por países produtores concorrentes.

Em consequência da adoção de novas tecnologias e sistemas de produção, ocorreram também mudanças no manejo das plantas daninhas, doenças e pragas.

Em relação às pragas, o fato de termos culturas instaladas de norte a sul do país durante o ano todo, faz com que tenhamos as chamadas “pontes verdes” que, com o passar dos anos, favorecem a diminuição de pragas específicas de uma determinada cultura (ex: Lagarta da Soja) e dão espaço para o aumento e domínio de pragas polífagas (capazes de se alimentar de várias culturas), também conhecidas como “pragas de sistema agrícola”.

Nas últimas safras a cultura da soja tem sofrido muito com o ataque de lagartas que são consideradas “Lagartas de Sistema Agrícola”, como a Falsa-Medideira (Chrysodeixis includens), as lagartas do gênero Spodoptera (S. cosmioides, S. eridania, S. frugiperda) e a recém-identificada Helicoverpa armigera, que são responsáveis por perdas da produção, pois reduzem a área foliar, prejudicando o desenvolvimento saudável da planta e consequentemente, o crescimento das vagens.

A ocorrência da Helicoverpa armigera na cultura da soja foi observada a partir da safra 2012/13 em níveis populacionais nunca antes registrados, causando sérios prejuízos econômicos. Esta espécie tem como característica atacar principalmente as estruturas reprodutivas das plantas.

Tentando manter os mesmos patamares de controle que se tinha no passado, o produtor tem manejado estas lagartas, muitas vezes sem sucesso, através do aumento de doses, misturas de produtos e aumento do número de aplicações.

Na safra 2013/2014 foi liberado no Brasil o cultivo da soja BT, soja geneticamente modificada, que contém a inserção de um ou mais genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), que induzem a produção de proteínas inseticidas que atuam contra diversas pragas, em especial, as lagartas. A soja BT (proteína Cry1Ac) apresenta controle para algumas espécies de lagartas, como lagarta da Soja – (Anticarsia gemmatalis), lagarta Falsa Medideira (Chrysodeixis includens e Rachiplusia nu), Broca das Axilas (Crocidosema aporema) e Lagarta das Maçãs (Heliothis virescens) e supressão para outras, como a Elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e as do gênero Helicoverpa (H. zea e H. armigera).

Figura 01 

Figura 02

Porém, produtores e técnicos estão confusos em relação ao uso da tecnologia BT em soja, pois escapes de algumas espécies de lagartas e seleção de indivíduos resistentes já vem ocorrendo de forma acentuada em culturas BT como o milho e o algodão.

Frente a esse cenário de "Lagartas de Sistema Agrícola" e a introdução da tecnologia BT em Soja, surgem dúvidas para o produtor como: quanto tempo a tecnologia irá durar na cultura da Soja? Como fazer o refúgio? Devo realizar aplicações de inseticidas? Se sim, quando aplicar e qual produto utilizar? Além disso, a identificação das lagartas é outro ponto preocupante e não é uma tarefa simples, pois a recomendação muda de acordo com o tipo da lagarta devido à especificidade dos produtos atuais. Para que tenhamos sucesso no manejo das lagartas e longevidade da biotecnologia devemos integrar o uso das diferentes ferramentas que estão disponíveis.

Em relação ao manejo químico é necessário rotacionar e trabalhar com mais de um mecanismo de ação dos inseticidas, visando evitar a seleção de insetos resistentes. As aplicações devem ser realizadas em condições climáticas adequadas e utilizando ponteira e pressão apropriada.

Fazendo uso da tecnologia BT devemos, primeiramente, assumi-la como ferramenta e não como solução no manejo das lagartas, devemos respeitar as proporções do refúgio e realizar monitoramento constante, principalmente para identificar as do gênero Spodoptera, que são tolerantes às principais ferramentas disponíveis.

Pensando em simplificar a vida do produtor, a Adama traz ao mercado o produto Voraz®. O inseticida híbrido facilita a tomada de decisão pois possui um amplo espectro de controle, controlando os mais diferentes tipos de lagarta, inclusive aquelas que já se adaptaram e que vão se adaptar às tecnologias BT, como é o caso do gênero Spodoptera sp.

Voraz® é inovador e sua formulação combina duas moléculas inseticidas, que possuem diferentes modos de ação conferindo poderoso efeito de choque. Uma nova e importante ferramenta no manejo de resistência das lagartas.

Figura 03

Referências Bibliográficas

AVILA et al. Ocorrência, aspectos biológicos, danos e estratégias de manejo de Helicoverpa armigera (Hubner) (Lepidoptera: Noctuidade) nos sistemas de produção agrícolas. Embrapa Agropecuária Oeste. Dourados, p. 12, 2013.
LEITE, N.A; MENDES, S. M; WAQUIL, J. M; PEREIRA, E. J. G. O Milho Bt no Brasil: a Situação e a Evolução da Resistência de Insetos. Embrapa Milho e Sorgo Sete Lagoas, MG, 2011.
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Ações Emergenciais Propostas pela Embrapa para o manejo integrado de Helicoverpa spp em áreas agrícolas. 2015. Disponível em:<http://www.cnpso.embrapa.br/helicoverpa/entendendo.html>. Acesso em: 05 dez. 2015.
Monsanto Company – Biotecnologia e Fatos da Biotecnologia. 2015. Disponível em: <http://www.monsanto.com/global/br/produtos/pages/biotecnologia.aspx>. Acesso em: 07 dez. 2015.