Manejo de Doenças na Cultura da Soja

por Rafael Gai

Manter-se alerta às doenças é fundamental para o manejo sustentável da cultura

Existem diversos fatores que afetam o bom desenvolvimento da cultura da soja. Dentre eles, inúmeras doenças fúngicas, que são responsáveis por significativas reduções na produtividade de grãos, impactando diretamente na rentabilidade do agricultor. Com uma previsão de produção nacional de aproximadamente 100 milhões de toneladas do grão, o desafio é prevenir o ataque das principais doenças que afetam a planta buscando alternativas de manejo que possibilitem manter o potencial produtivo da cultura.

Algumas práticas têm contribuído para o desenvolvimento da soja brasileira: novas tecnologias, manejo integrado de doenças (MID), manejo integrado de pragas (MIP), controle de plantas daninhas, novas cultivares Ipro, etc. Em contrapartida, existem dificuldades que podem limitar o desenvolvimento da cultura causando reduções significativas de produção no campo. Doenças como Oídio (Microsphaera diffusa), o Complexo de Doenças de Final do ciclo (DFC’s) e a Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi Sydow), de forma epidêmica, têm causado grandes danos nas regiões agrícolas.

Figuras 01 e 02

O Oídio da soja está se apresentando com grande frequência nas últimas safras. Até então, era considerada uma doença secundária, mas devido às alterações climáticas, o fungo tem afetado com frequência a produção nas regiões Sul e Cerrado. A infecção pelo fungo pode ocorrer em qualquer fase de desenvolvimento da cultura, sendo mais frequente no final do período vegetativo e florescimento. Quando a infecção do fungo é muito severa a planta tem dificuldade para realizar a fotossíntese, o que faz com que as folhas sequem e caiam prematuramente. As condições ideais para o desenvolvimento do fungo são relatadas por Reis (2004): baixa umidade relativa do ar (clima seco) e temperaturas amenas (18-22ºC). Já temperaturas superiores a 30ºC (BALARDIN, 2002), molhamento foliar e precipitações intensas são fatores que inibem o desenvolvimento e estabelecimento do fungo. Atualmente, no mercado agrícola, existem diversos produtos para o controle da doença que contém ingredientes ativos como o enxofre, tebuconazol, tiofanato metílico e o carbendazim.

A Ferrugem asiática (Phakopsora pachiyrhizi) da soja vem causando grandes preocupações aos produtores do PR, SC e RS. Em virtude de um inverno mais quente nestes estados, umidade elevada e altas precipitações causadas pelo fenômeno El Niño, estima-se que nesta safra 2015/16, teremos uma maior pressão da doença durante o ciclo da cultura, o que requer mais cuidado ao combatê-la. Atenção especial para quando já existe a presença precoce da doença em áreas comerciais, conforme constado pela Fundação ABC (levantamento realizado em Itaberá – São Paulo), pois nesta situação, a probabilidade de desenvolvimento epidêmico é ainda maior.

A Ferrugem é considerada uma doença muito agressiva devido sua alta virulência, disseminação e, por causar grandes danos na maioria das plantas da família Fabaceae ou Leguminosae, que são espécies capazes de produzir vagens como a soja, feijão, entre outras (REIS et al., 2006). A manifestação inicial da doença pode ser observada em áreas foliares cloróticas. Em geral, as primeiras lesões são apresentadas nas folhas baixeiras em tons verde-acinzentados que vão evoluindo para marrom-escuro e marrom-avermelhado.

As pústulas ou urédias são formadas nas lesões principalmente na face inferior das folhas e produzem grande massa de esporos. Para se propagar, os esporos se liberam e espalham, causando novas infecções. Os danos nas folhas de soja causados pela Phakopsora pachiyrhizi são facilmente observados: rápido amarelecimento e queda prematura das folhas, impedindo a formação e enchimento de grãos. Quanto mais cedo ocorrer o processo de infecção, menor será o tamanho e o peso dos grãos, afetando a qualidade e o rendimento da safra.

Devido às condições climáticas favoráveis da última safra, podemos dizer que o cenário da ferrugem no Rio Grande do Sul se inverteu com a situação do Mato Grosso. Agora, os produtores gaúchos assustados com a severidade da doença na safra anterior, eles se prepararam melhor, planejando-se para iniciar as aplicações mais cedo e com produtos mais eficazes para o controle da Ferrugem.

Devido à baixa eficiência de alguns fungicidas, que pode ser justificada pela maior resistência da doença à algumas estrobilurinas, a saída para se ter sucesso no manejo e garantir bons resultados é a rotação de produtos e uso de fungicidas protetores que atuam em diversas enzimas do fungo (multissítios). Alguns estudos mostram que a Picoxistrobina é uma das únicas estrobilurinas que ainda apresentam boa eficiência de campo. Hoje, o mercado possui fungicidas triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, e os protetores vêm ganhando grande espaço e efetividade colaborando em grande escala para mantermos o potencial produtivo da cultura.

Não menos importante, as Doenças de Final de Ciclo, mais conhecidas como DFC’s, são fungos saprófitas, ou seja, sobrevivem em restos culturais e tecidos mortos, causando grandes perdas de produtividade na cultura da soja. Também transmitidas via sementes, a incidência tem aumentado com o passar dos anos, devido, principalmente, ao monocultivo e sistema de plantio direto na palha (Reis et al., 2004). Essas práticas têm proporcionado um microclima favorável ao aumento das doenças. As DFC’s são potencialmente controláveis pela rotação de culturas e pulverização de fungicidas na parte aérea. Sementes livres de patógenos proporcionadas por um bom tratamento de sementes e cultivares com nível de resistência também contribuem para o manejo. O controle dessas doenças deve ser realizado preventivamente.

As DFC’s atingem a planta com maior intensidade nas fases iniciais da cultura, porém seus sintomas são mais vistos na fase reprodutiva, por isso, é imprescindível que o controle seja feito já na fase inicial. Dentre o complexo de doenças da soja, uma delas é a mancha parda, causada pelo fungo Septoria glycines. Os sintomas típicos são manchas com contornos irregulares, coloração castanho-avermelhado ou marrom, variando de tamanho. As condições climáticas necessárias para se ter alta infecção desta doença são: altas temperaturas e alta umidade relativa do ar.

Um fato importante a destacar é que, além de produtos, o momento e intervalos das aplicações de fungicidas são extremamente importantes para o sucesso no manejo. Aplicações tardias ou curativas para manejo de doenças potenciais não têm se mostrados eficientes nas últimas safras. Devido ao aumento na complexidade para controlar os fungos da soja com o iminente aumento da resistência de alguns produtos disponíveis no mercado, a Adama vem desenvolvendo soluções que combinam diferentes modos de ação para o amplo espectro de doenças. Estas novidades devem estar no mercado em breve.

Atualmente, precisamos utilizar todas as estratégias de manejo possíveis para controlar as doenças, como: plantio mais cedo, variedades de ciclo precoce, cultivares com tolerância varietal a algumas doenças e bons produtos para controle químico. Para simplificar a vida do produtor, a Adama tem em seu portfólio o produto Horos®, que atua de forma eficaz no complexo de doenças que atacam a soja. Horos® é composto pela melhor estrobilurina do mercado, possui a proporção adequada de ativos e uma formulação de alta qualidade para que o produtor mantenha o potencial produtivo da soja.

Gráficos 01 e 02

Referências Bibliográficas

BALARDIN, R.S. Bases para Manejo da Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi). In: BALARDIN, R.S. Doenças da soja. Santa Maria: UFSM, 2002.

REIS, E.M. et al. Doenças na Cultura da Soja. Passo Fundo: Aldeia Norte Editora, 2004.

REIS, E. M.; BRESOLIN, A. C. R.; CARMONA, M. Doenças da Soja I: Ferrugem asiática. Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2006.

SARTORATO, A.; YORINORI, J.T. Oídios de Leguminosas: Feijoeiro e Soja. In: SADNIK, MJ; RIVERA, MC. Oídios. Jaguariúna, Embrapa Meio Ambiente, p.484, 2001.