Manejo de Percevejos

por Vinícius Gianasi

O avanço da biotecnologia BT está proporcionando constantes mudanças e grandes desafios em relação às pragas e manejo de lagartas.

A soja é uma cultura que tem sido atacada por várias pragas e, que podem ocorrer durante todo o seu ciclo. Mais de 300 espécies de insetos já foram identificadas nas lavouras ou nos grãos armazenados. Porém, as principais pragas da soja são menos de dez, a grande maioria é considerada de valor secundário para a cultura. As condições ambientais, a época do ano e a presença de inimigos naturais são fatores determinantes para a maior ocorrência de uma espécie do que outra.

O controle de pragas baseado nos princípios de Manejo Integrado de Pragas (MIP) tem como objetivo evitar o crescimento da população para que a planta tenha um bom desenvolvimento durante todo seu ciclo, levando a uma maior produtividade. As espécies de percevejos pentatomídeos, percevejo barriga verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus), percevejo-asa-preta (Edessa meditabunda), Edessa rufomarginata, percevejo marrom (Euschistus heros), percevejo verde (Nezara viridula) e percevejo pequeno verde (Piezodorus guildinii) (Hemiptera: Pentatomidae) são responsáveis por elevados prejuízos e, dependendo da infestação, nas culturas de soja e milho, por exemplo, seus danos podem chegar a quase 100%.

Dentre as várias espécies de percevejos presentes nas lavouras de soja, atualmente, o mais presente é o percevejo marrom (Euschitus heros) (Fig.1), que tem uma longevidade média do inseto adulto de 116 dias. Os ovos são depositados em pequenas massas de cor amarela, normalmente com 5 a 8 ovos por massa e apresentam mancha rósea próximo à eclosão das ninfas. Os ovos são colocados, principalmente, nas folhas ou nas vagens de soja(7). As ninfas recém-eclodidas medem cerca de 1,3 mm e têm o corpo alaranjado e a cabeça preta. As ninfas maiores (terceiro ao quinto ínstar) apresentam coloração que pode variar de cinza a marrom. Apesar de iniciarem a alimentação no segundo ínstar, as ninfas do percevejo marrom causam danos às sementes apenas a partir do terceiro ínstar, quando atingem tamanho médio de 3,63 mm(4). Por se alimentarem inserindo os estiletes e sugando os nutrientes diretamente das vagens, atingem os grãos, afetando seriamente o rendimento, a qualidade fisiológica e sanitária da semente.

Seus danos são irreversíveis a partir de determinados níveis populacionais. Os grãos atacados ficam menores, enrugados, murchos e com cor mais escura que o normal, podendo apresentar doenças como a mancha fermento, causada pelo fungo Nematospora coryli Peglion, que é transmitido durante a alimentação. Nos ataques iniciais, pode ocorrer abortamento de vagens, além da redução da viabilidade e vigor. As sementes de soja danificadas por percevejos sofrem alterações em seus teores de proteína e de óleo. Além disso, os percevejos podem causar retardamento da maturação da cultura (retenção foliar / haste verde), dificultando a colheita.(6)

Figura 01

Benefícios do Galil

  • Excelente controle de percevejos com efeito de choque e residual.
  • Melhor inseticida para controle de percevejo conforme consórcio percevejo da Embrapa
  • Controla percevejo sem causar desequilíbrio na população de ácaros.
  • Melhor controle de mosca branca se comparado com os concorrentes diretos.
  • Não necessita aumento de dose.
  • Não causa irritabilidade dérmica.
Figura 02
O Euschistus heros entra em dormência (diapausa), que é um estado parecido à hibernação, ficando sob a palha nos meses que não existe muita umidade e plantas hospedeiras, isto o permite escapar do ataque de parasitoides e predadores na maior parte do ano, resultando em sua sobrevivência e favorecendo a sua abundância. Como exemplo de plantas hospedeiras para esse inseto pode-se citar: amendoim bravo, carrapicho-de-carneiro, girassol e guandu.
Na cultura da soja o controle químico é o método de manejo de percevejos mais utilizado. A escolha do produto e da tecnologia é fundamental, já que a eficiência da pulverização depende de produtos com ação comprovada combinados à tecnologia empregada na sua aplicação(2). Atualmente, no país, são utilizados mais de 4,5 milhões de litros de inseticidas químicos por safra para o controle de percevejos(3),.Deste montante, o estado do Mato Grosso consome cerca de 20%, sendo considerado o maior consumidor de inseticidas do país.A diminuição de aplicações de inseticidas utilizados no manejo das pragas contempladas pela tecnologia Bt pode contribuir para o aumento de pragas que não são alvos, como por exemplo, os percevejos, que eram também inibidos por ação desses inseticidas. O sistema de produção de grãos nas regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil é caracterizado pela utilização do plantio direto e uso intenso das áreas no cultivo de milho safrinha, o que tem favorecido o crescimento populacional de algumas espécies de percevejos consideradas anteriormente pragas secundárias no milho, como o percevejo barriga verde (Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus), percevejo verde (Nezara viridula) e também o percevejo marrom, (Euschistus heros)(5). Os danos causados pelos percevejos no milho se devem, principalmente, à alimentação de adultos e ninfas na base das plântulas, logo após a germinação da semente. Durante a alimentação, o percevejo introduz seu estilete nos tecidos jovens, injetando saliva para facilitar a sucção de seiva. Dependendo da infestação e da idade da plântula, os percevejos podem causar danos leves ou até mesmo, a morte da plântula, que se inicia com murchamento das folhas centrais, sintoma de “coração morto” e termina com a seca total da planta, reduzindo o número de plantas por metro da cultura. Em alguns casos, pode provocar o super perfilhamento, que possui um sintoma conhecido como "enrosetamento" ou pode, ainda, causar apenas furos simétricos com bordas amareladas no limbo foliar. O controle do percevejo via pulverizações com inseticidas deve ser feito quando a praga for identificada logo após a emergência do milho. Pulverizações tardias (10-15 DAE), não impedem o aparecimento do dano, pois a toxina que o inseto injetou já está agindo na planta(1).

"O monitoramento da população de percevejos é fundamental para garantir o momento correto das aplicações dos inseticidas, favorecendo a máxima eficácia do produto no controle da população deste inseto".

Pensando nos vários problemas que os agricultores vêm enfrentando para manejar os percevejos e outros insetos nos últimos anos, a Adama desenvolveu o inseticida Galil SC®, com registro para várias culturas, dentre elas, soja, milho, trigo e algodão. Através dos seus dois diferentes mecanismos de ação, o produto apresenta excelente controle de choque e um residual, que proporciona maior período de controle. Galil SC® possui em sua formulação o radical trifluoro que confere ação acaricida ao produto. Na cultura da soja, esta característica é extremamente importante, pois o produto controla percevejos sem desequilibrar a população de ácaros, pragas que costumam ocorrer ao mesmo tempo na lavoura. Outra característica do produto é que ele não possui em sua formulação o radical Ciano que causa irritação dérmica, o que proporciona mais conforto e segurança durante sua manipulação. Galil SC® é um produto inovador, com dose ajustada à realidade das novas tecnologias disponíveis no Brasil e que confere excelente relação de custo e benefício no controle de percevejos.

Figura 03

Referências Bibliográficas

1BIANCO, R. Manejo de pragas do milho em plantio direto. 2005. Disponível em: <http://www.biologico.sp.gov.br/rifib/XI_RIFIB/bianco.PDF>. Acesso em: 21/01/2016.
2CARVALHO, W. P. A.; FURLANI JUNIOR, J. A. Estudo comparativo entre coletores para determinação do DMV e coeficiente de dispersão na amostragem de gotas em aplicações de produtos líquidos. Energia na Agricultura, Botucatu, v. 12, n. 1, p. 28-37, 1999.
3EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Patente de feromônio vai acelerar pesquisas de controle biológico no Brasil. 2014. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1911153/patente-de-feromonio-vai-acelerar-pesquisas-de-controle-biologico-no-brasil>. Acesso em: 21/01/2016.
4GRAZIA, J.; DEL VECCHIO, M.C.; BALESTIERI, F.M.P.; RAMIRO, Z.A. Estudo das ninfas de pentatomídeos (Heteroptera) que vivem sobre soja (Glycine max (L.) Merrill): I – Euschistus heros (Fabricius, 1798) e Piezodorus guildinii (Westwood, 1837). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 9, p. 39-51, 1980.
5QUINTELA, E.D.; TEIXEIRA, S.M.; FERREIRA, S.B.; GUIMARÃES, W.F.F.; OLIVEIRA, L.F.C.; CZEPAK, C. Desafios do Manejo Integrado de Pragas da Soja no Brail Central. Comunicado técnico 149, 2006.
6SOSA-COMEZ, D.R.; MOSCARDI, F. Retenção foliar diferencial em soja provocada por percevejos (Heteroptera: Pentatomidae). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, Londrina, v.24, n.2, p.401-404,1995.
7VILLAS-BÔAS, G.L.; PANIZZI, A.R. Biologia de Euschistus heros (Fabricius, 1789) em soja (Glycine max L. Merrill). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 9, p. 105-113, 1980.