Plantas daninhas resistentes

por Rafael Milléo

Capim-amargoso é um dos grandes problemas verificados em sistemas de produção de culturas como Soja, Milho e Algodão.

Com a liberação do plantio de cultivares de soja Roundup Ready® (RR®) no Brasil, a intensidade de uso do glifosato na cultura, que já era grande, devido às aplicações de dessecação de manejo, passou a ser ainda maior, com a possibilidade de realizar aplicações em pós-emergência, ou seja, sobre as plantas de soja geneticamente modificadas. Já na segunda safra após a liberação no País, aproximadamente 35% de toda a soja cultivada na região Centro-Oeste é formada por cultivares RR®1. Atualmente, as áreas com cultivos Roundup Ready® (RR®) abrangem mais de 90% das áreas cultivadas, e a cada ano a incidência de plantas daninhas resistentes, em especial, o capim-amargoso, aumenta.

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma planta que tem a capacidade de emergir e se desenvolver praticamente o ano todo em diferentes condições climáticas. Uma vez estabelecida com a formação de rizomas, a dificuldade de controle dessa espécie aumenta significativamente. Com a recente confirmação da existência de biótipos resistentes ao glifosato, os problemas se agravaram e o conhecimento da biologia dessa espécie é fundamental na elaboração de estratégias para o manejo químico da planta daninha. A presença dessa espécie deve ser monitorada nas lavouras durante a safra, safrinha e entressafra, pois o descaso com a ocorrência dessa planta pode levar a um forte aumento na população de Digitaria insularis na lavoura, e, consequentemente, a sérios prejuízos na produtividade e aumento nos custos de produção.

Esta é uma espécie de gramínea de ciclo perene com metabolismo fotossintético do tipo C42, porém, apresenta crescimento inicial lento até 45 Dias Após a Emergência (DAE). Entre 45 e 105 DAE, o crescimento é acelerado, apresentando aumento exponencial de matéria seca. Esse comportamento foi observado para raiz + rizoma, colmo e folha (folha + inflorescência). Na fase de crescimento exponencial, parte do incremento de massa seca das raízes a partir dos 45 DAE se deve à formação dos rizomas. Além disso, a emissão de inflorescências em D. insularis ocorre entre os 63 e 70. Apesar do capim-amargoso apresentar insensibilidade ao fotoperíodo para o estímulo ao florescimento, quanto maior é o fotoperíodo, mais rápida é a emissão da panícula e maior é o acúmulo de matéria seca por planta3. O acúmulo de massa seca da D. Insularis descrito por Machado (2006): 30,66 g por planta aos 98 DAE, é superior quando comparado com outra gramínea como B. plantaginea, que apresentou 23,87 g por planta aos 143 DAE4.



 

Benefícios do POQUER®

  • Amplo espectro de Controle
  • Altamente eficaz no controle de Capim-amargoso, Azevém e Milho voluntário
  • Menor limitação quanto ao estágio da planta
  • Maior flexibilidade


Em áreas onde há uso contínuo de glifosato, constata-se que plantas originárias de sementes, quando jovens, são controladas facilmente por esse herbicida, contudo, quando as plantas desenvolvem e formam rizomas, o controle é mais difícil. Dessa forma, infere-se que o melhor período para controle de D. insularis é até os 45 DAE, quando os rizomas ainda não foram formados5.

Quando se trata do controle de Digitaria insularis em pré-emergência, não são relatados problemas na literatura, pois existem vários mecanismos de ação que possuem eficácia sobre capim-amargoso nessa modalidade: inibidores de divisão celular, inibidores do fotossistema II, inibidores da síntese de carotenoides, inibidores da ALS, inibidores da protox. Aliado a isso, ressalta-se que o capim-amargoso possui desenvolvimento inicial lento, sendo facilmente suprimido pela cultura ou mesmo por outras plantas daninhas6.

Os mecanismos que conferem resistência a essa planta estão relacionados à mais lenta absorção de glifosato por plantas do biótipo resistente, assim como com a mais rápida metabolização do glifosato em AMPA, glioxilato e sarcosina. Além disso, a translocação é muito menor em plantas do biótipo resistente em relação ao suscetível,mesmo em plantas novas, com 3 a 4 folhas7.

O primeiro caso relatado sobre um biótipo de capim-amargoso resistente ao glifosato, veio do Paraguai, em 20068. O fato de ser uma planta que se pereniza nas áreas agrícolas, produz alta quantidade de sementes, tem um rápido desenvolvimento vegetativo inicial e não é palatável ao gado9, junto com o aumento das doses de glifosato, tínhamos um indicativo do risco de desenvolvimento de resistência9. (Quando a resistência se instala em uma área ou região, como constatado por vários autores (NICOLEI et al., 2010; ADEGAS et al., 2010; CARVALHO et al., 2011), o estudo sobre as alternativas de controle torna-se vital para garantia do sucesso no manejo de plantas daninhas. No entanto, a possibilidade do controle das plantas daninhas em estágio mais avançado, com a utilização do glifosato, gerou um "esquecimento" dos conceitos dos períodos de convivência das plantas daninhas com a cultura da soja. Os períodos de convivência iniciais entre as plantas daninhas e as plantas de soja podem acarretar perdas na produtividade, mesmo que as invasoras sejam controladas posteriormente.

“Períodos de convivência iniciais entre as plantas daninhas e as plantas de soja podem acarretar perdas na produtividade, mesmo que as invasoras sejam controladas posteriormente. ” Pitelli (1985)

De acordo com Pitelli (1985), o período anterior à interferência (PAI) situa-se entre 20 e 35 dias após a emergência da cultura da soja. Os períodos de interferência podem variar com as características dos cultivares de soja, como velocidade de estabelecimento, fechamento do dossel, exploração do sistema radicular e também com o espectro infestante (espécies ocorrentes, densidade populacional e distribuição na lavoura)10. Assim, o manejo com herbicidas aplicados em pré-emergência na soja com efeito residual é uma realidade crescente no meio agrícola, evitando a interferência dessa espécie na cultura, respeitando o PTP e rotacionando mecanismos de ação que evitarão ou retardarão o aparecimento de espécies resistentes.

Existem várias alternativas de manejos para o controle desta difícil erva invasora, entre elas, o manejo químico tem se mostrado bastante eficiente. Antes da escolha do melhor produto é preciso avaliar alguns cenários da área infestada, tais como: plantas oriundas de sementes, plantas adultas em pleno florescimento e plantas restantes do pós-colheita. Dentre os diversos produtos registrados há diferentes respostas dos ativos para controle do Capim-amargoso. O Poquer® é um dos produtos mais eficientes do mercado e a sua grande vantagem competitiva é a flexibilidade de controlar as principais gramíneas existentes no Brasil.

Referências Bibliográficas

1BIOTECH BRASIL. "Cultivo de transgênicos no Centro-Oeste", 2 de Fevereiro de 2007.
2Kissmann, K.G. & D. Groth. 1997. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo, BASF, tomo II 978p.
3MACHADO, A.F.L. et al. Análise de crescimento de Digitaria insularis (L.) Fedde. Planta Daninha, v.24, n.4, p.641-647, 2006.
4PYON, J.Y., WHITNEY, A.S., NISHIMOTO, R.K. Biology of sourgrass and its competition with buffelgrass and guineagrass. Weed Science, v.25, n.2, p.171-174, 1977.
5CARVALHO, L.B. et al. Estudo comparativo do acúmulo de massa seca e macronutrientes por plantas de milho var. BR-106 e Brachiaria plantaginea. Planta Daninha, v.25, n.2, p.293- 301, 2007.
6CARVALHO, L.B. Interferência de Digitaria insularis em Coffea arabica e respostas destas espécies ao glyphosate. 2011. 119f. Tese (Doutorado em Agronomia) - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal.
7HEAP, I. The international survey of herbicide resistant weeds. Disponível em: www.weedscience.com. Acesso em: 25 outubro 2011.
8LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas. 4 ed. Nova Odessa SP: Ed. Plantarum, 2008. 672p.
9DUKE, S.O.; POWLES, S.B. Glyphosate: a once-in-a-century herbicide. Pest Managenement Science, v. 64, p.319–325, 2008.
10CARVALHO, F. T.; VELINI, E. D. Períodos de interferência de plantas daninhas na cultura da soja I - Cultivar IAC 11. Planta Daninha, v. 19, n. 3, p. 317-322, 2001.