Metodologias de análise de nematoides em cana-de-açúcar

Por João Ibelli Neto*

Invisíveis a olho nu, os nematoides são parasitas que afetam as raízes das plantas, prejudicando a absorção dos micro e macro nutrientes, causando assim prejuízos que, dependendo do nível de comprometimento da cultura, podem alcançar a ordem de 70%. Recentemente, a ADAMA elaborou um mapa de infestação piloto na região centro-sul brasileira, em uma área de aproximadamente 15.000 ha, onde ficou comprovada em cerca de 44% deste território uma incidência com alta infestação.

Na cana-de-açúcar, a ação dos nematoides acaba sendo ainda mais difícil de ser detectada. Sinais como plantas de tamanhos irregulares, prejuízos ao crescimento e menor perfilhamento podem indicar a presença de nematoides. Neste caso, é indicada a ação imediata para comprovar a presença destes organismos e evitar que eles se multipliquem por toda a área.

O correto diagnóstico e efetivo controle por meio de boas práticas culturais e nematicidas químicos, dependem de análises laboratoriais em amostras das raízes das plantas. Atualmente, grandes progressos foram alcançados nessa área e novas metodologias e tecnologias são lançadas ano a ano.

Entre as técnicas adotadas para o diagnóstico e levantamento populacional dos nematoides destaca-se o método Isca Embalagem, idealizado em 2001 pelo Prof. Dr. Newton Macedo e aprimorado pelo Dr. Wilson Novaretti (in memoriam), responsável por calibrar os níveis populacionais para a cana-de-açúcar em projeto realizado na Usina Cocal com experimentos e diferentes tipos de amostragens.

A técnica Isca Embalagem – atualmente conduzida pelo ANNA Laboratório de Nematologia - consiste em simular dentro de sacos plásticos - a partir de solo coletado na rizosfera das plantas - condições em que os parasitas se desenvolvam.

Entre seus diferenciais, a Metodologia Isca Embalagem pode ser utilizada em qualquer época do ano, não estando atrelada ao regime de chuvas. Além disso, a retirada das amostras pode ser realizada quando são coletadas amostras para análise química de solo. Somados a esses fatores, os índices deste tipo de metodologia indicam o potencial que a área pode sofrer com o impacto negativo do parasitismo por fitonematoides.

Para o futuro, espera-se que a detecção de nematoides se torne ainda mais ágil e fácil. Entre as técnicas que estão sendo estudadas, está a utilização de imagens por satélite. Os índices de NDVI podem dar indícios da situação da planta no que diz respeito à nutrição e incidências de doenças. Atualmente, essa tecnologia ainda não consegue detectar nematoides, especificamente, mas esse aprimoramento é esperado no futuro. Da mesma forma, estudos estão sendo realizados para identificar a assinatura espectral do nematoide, tecnologia que já é utilizada em outras culturas para algumas espécies de nematoides e em breve deverá ser disponibilizada para a cana-de-açúcar, tornando a identificação mais precisa e acessível aos produtores.

*João Ibelli Neto é Gerente de Produtos da ADAMA Brasil

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