Fungicidas

Precisamos preservar essa ferramenta de se produzir alimentos.

As plantas cultivadas constituem a principal fonte nutricional do homem, das pragas e dos fitopatógenos. Portanto, quanto maior for a população de uma espécie vegetal e maior for sua área cultivada, maior é o risco de ocorrência de epidemias de doenças de plantas.

Portanto, torna-se necessário o uso de medidas rápidas, práticas e eficientes no controle de doenças de plantas. Entre essas, enquadra-se o controle químico ou quimioterapia.

Os fungicidas, porém, não se constituem na única medida de controle de doenças de plantas têm-se, ainda, o melhoramento genético, as práticas culturais, a rotação de culturas e o controle.

CONCEITO

Evolução da performance dos principais grupos de fungicidas nos últimos anos Fungicidas são substâncias químicas, de origem natural ou sintética que, aplicadas às plantas, protegem-nas da penetração e/ou do posterior desenvolvimento de fungos patogênicos em seus tecidos.

Para ser fungicida, uma substância química não necessita obrigatoriamente matar o fungo. Algumas controlam doenças inibindo o crescimento miceliano ou a esporulação. São chamadas de substâncias fungistáticas e antiesporulantes.

Dentre as inúmeras classificações dos fungicidas, quanto ao tipo, mobilidade, etc., destacam-se os fungicidas protetores.

A facilidade de aplicação e os resultados imediatos obtidos os tornaram amplamente difundidos em diversas culturas. Porém, o uso contínuo pode promover a seleção de fungos fitopatogênicos resistentes, não controlados pelo fungicida anteriormente eficaz, colocando em risco a eficiência do método. Assim, o surgimento de fungos fitopatogênicos resistentes a fungicidas é um sério problema que pode pôr em risco o controle dessas doenças de plantas.

Os fungos causadores das doenças, como outros organismos vivos, podem desenvolver resistência aos produtos tóxicos visando à sobrevivência da espécie. A grande diversidade dos microrganismos e sua intensa capacidade de multiplicação fornecem uma ampla oportunidade para a seleção de linhagens resistentes surgidas espontaneamente. A aplicação do fungicida seleciona as células resistentes, eliminando as sensíveis.

Com aplicações sucessivas do mesmo ingrediente ativo, ocorre uma intensa pressão de seleção, fazendo com que as linhagens resistentes predominem na população até o momento em que o produto não tem mais efeito.

A resistência de fungos aos princípios ativos já existentes no mercado - como triazóis e estrobilurinas - vêm aumentando significativamente nas lavouras de soja em todo o país, e hoje na agricultura brasileira alguns produtos que tinham eficácia superior a 80%, estão com um desempenho de 20% a 40% apenas.

A dificuldade no controle de algumas doenças da soja, como por exemplo, a ferrugem asiática pode causar grandes prejuízos aos produtores rurais, e uma das alternativas para potencializar a ação desses princípios ativos são os fungicidas protetores, ou de multissítio.

Diferente dos triazóis, estrobilurinas e carboximidas, o fungicida protetor tem ação multissítio, ou seja, atua em diversas enzimas do fungo, garantindo sua melhor eficácia. No entanto, os protetores devem ser utilizados em conjunto com outros produtos, essa é uma tecnologia que não vem para substituir os fungicidas específicos, eles continuam sendo usados, porém recebem o reforço do multissítio.

Diante desse cenário, o fungicida protetor, pode ser a melhor alternativa para os produtores que não querem sofrer com grandes perdas nas lavouras de soja, pois ele tem a vantagem de ter baixo risco de resistência, então é uma introdução que ajuda no manejo e é uma solução mais duradoura.

FUNGICIDAS PROTETORES

Os fungicidas assim classificados são tópicos e são depositados na superfície da planta antes dos esporos. Permanecem na superfície da planta a espera, por isso são lavados ou removidos pela água da chuva; sofrem redistribuição por orvalho ou chuva; são absorvidos pelo tubo germinativo necessitando para tal a germinação do esporo; Usos e aplicação: pulverização de órgãos verdes para a proteção.

Uma vez ocorrida a penetração do patógeno na planta, os produtos protetores ou residuais não têm a potencialidade de impedir a invasão posterior dos tecidos pelo fungo, isto é não tem ação curativa ou erradicativa.

Dentre os protetores, existe uma molécula, a qual vamos nos aprofundar um pouco mais no quadro abaixo:

CARACTERÍSTICAS DE UM BOM FUNGICIDA PROTETOR

Para o bom desempenho da ação protetora, quando aplicado na parte aérea das plantas, o composto químico, precisa ter uma série de características:

  • Fungitoxicidade inerente: deve ser quimicamente reativo, mas não deve se decompor facilmente pela ação das intempéries;
  • Deve ser capaz de reagir num meio aquoso, mas sem hidrolisar sobre o hospedeiro, nem lixiviar pelo primeiro banho de chuva;
  • Deve ser capaz de se espalhar por toda a superfície a ser protegida, mas sem formar uma camada tão fina que comprometa sua eficiência;
  • Deve ser capaz de redistribuição durante as chuvas, cobrindo as áreas não cobertas pelos depósitos iniciais, mas sem escorrer excessivamente com a água de pulverização;
  • Deve ser suficientemente molhável para formar suspensão na água de pulverização, mas não tão molhável a ponto de os depósitos serem levados pela chuva.

MANCOZEBE

O mancozebe pertence ao grupo dos ditiocarbamatos e, mais especificamente, à classe dos compostos conhecidos como etilenobisditiocarbamatos.

O Mancozebe, complexo com sal de zinco, é um fungicida de atividade multissítio que impacta em muitos sítios vitais do metabolismo celular dos fungos, nele estão contidos 20% de manganês e 2,55% de Zinco.

Cada partícula do Mancozebe é composta por uma camada externa rica em zinco, envolvendo um núcleo central de EBDC polimericamente estruturado. Essa é uma estrutura extremamente estável e a baixa solubilidade da camada externa de zinco significa que o EBDC pode passar através dessa camada e ser depositada na superfície foliar em uma taxa controlada.

Esse período de proteção das folhas passa por uma liberação controlada que auxilia na regulação da duração na eficiência do fungicida e aumenta o período de proteção. Logicamente, para resultar em melhor controle, uma camada contínua, ou barreira de mancozebe, deve estar presente na superfície foliar.

Propriedades Químicas do Mancozebe

Tenacidade, é a capacidade de um fungicida (i.a) permanecer aderido à superfície da planta. Pode ser definida como a capacidade do fungicida a resistir a fotólise, hidrólise, remoção ou lixívia pela chuva, sublimação e volatização.

Além de ser fungicida, matador de fungos, alguns compostos podem apresentar alguns efeitos na fisiologia das plantas, outros ainda mostram um efeito nutricional adicional ou estimulante, e ainda de redução do crescimento da planta tratada.

Misturas Mancozebe Aumento Relativo
 COM SEM  
Ciproconazol + Azoxistrobina42,87431,2
Ciproconazol + Picoxistrobina7479,45,4
Tebuconazol + Picoxistrobina7452,911,9
Média66,179,813,7
Controle (%) da ferrugem da soja pelas misturas de fungicidas adicionadas ou não a Mancozebe, aplicado 3 vezes. Rio Verde-GO. Severidade na testemunha: 70% e CV: 4,6%. Fonte: Silva et al., 2013

 

No entanto, o mancozebe também apresenta esse efeito benéfico ao fornecer às plantas os micronutrientes Mn e Zn, desses apenas o Mn é aplicado em quantidade suficiente para satisfazer à demanda das plantas evidenciando no maior crescimento vegetativo.

Trabalho feito na Embrapa Trigo (Reis e Floss, 1980), demonstrou que o manebe e o mancozebe, pulverizados na folhagem, fornecem elementos minerais que promovem um maior desenvolvimento das plântulas de trigo.

Tratamentos Altura (cm) Massa seca (g/vaso)
Testemunha22,02 c2,50 b
Manebe27,77 a11,80 a
Mancozebe25,10 b10,37 a
Efeito nutritivo de fungicidas ditiocarbamatos no desenvolvimento de plântuas de trigo. Fonte: Reis & Floss, 1980.

 

Em relação à toxicologia, o mancozebe tem sido alvo de inúmeras pesquisas exaustivas envolvendo sua toxicologia desde 1970, em extensivas revisões regulatórias em muitos países, e em vários locais concluiu-se que, quando aplicado de acordo com as recomendações da bula, é aceitável para o uso na agricultura moderna.

Portanto sido demonstrado todos os benefícios do Mancozebe, além de sua ação fungitóxica, esse fungicida pode ser uma ferramenta muito útil na estratégia de resistência dos fungos aos fungicidas; e os resultados positivos da adição do mancozebe às misturas de fungicidas (triazól + estrobilurina) são animadores:

ENTRE NUMA NOVA ERA DE COMBATE À FERRUGEM

Pensando sempre em criar simplicidade para a agricultura, a Adama trouxe uma arma que revolucionará o combate à ferrugem na cultura da soja.

Cronnos, é a mistura tripla de fungicidas (protetor, triazól e estrobilurina) que além de facilitar a vida do produtor, evitando mistura de tanque, entupimento de pontas de pulverização, traz também um outro patamar de controle de doenças. Cronnos é a ferramenta ideal para o manejo de resistência dos fungos aos fungicidas atuais.

Vale destacar a fantástica formulação do Cronnos, a qual proporciona, uma perfeita diluição no tanque do pulverizador, não aglomerando, nem causando entupimento de bico, além de proporcionar uma maior aderência do produto na folha da soja, economizando dessa forma o tempo do agricultor.

CRONNOS A QUALQUER TEMPO

Devido ao seu equilíbrio entre os ingredientes ativos, Cronnos é seletivo para a cultura da soja, fazendo com que ele possa ser aplicado em qualquer estágio de desenvolvimento, ou seja, não causa fitotoxicidade para a cultura da soja independente da fase que a cultura se encontra.

REFERÊNCIAS:

http://www.noticiasagricolas.com.br/videos/soja/155673-controle-da-ferrugem-asiatica-com-fungicidas-protetores-tem-mostrado-bons-resultados-no-campo.html#.WF6iF1MrLIU
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mancozeb_Molecular_Structure.png
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfIVcAC/controle-quimico-doencas?part=4
http://www.grupocultivar.com.br/artigos/fungos-resistentes http://www.cbsoja.com.br/images/cbsoja/downloads/palestras/CLAUDIA%20GODOY.pdf
http://www.plantiodireto.com.br/?body=cont_int&id=777
Reis, Erlei Melo. Mancozebe- Passo Fundo: Berthier 2015. Redução da sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi a fungicidas e estratégias antirresistência: porque os fungicidas falham? / Erlei melo Reis... et al – Passo Fundo: berthier, 2015
https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1073132/eficiencia-de-fungicidas-para-o-controle-da-ferrugem-asiatica-da-soja-phakopsora-pachyrhizi-na-safra-201617-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos