Doenças na cultura do Trigo

Condições Climáticas favoráveis ao aparecimento de doenças.

Com uma produção estimada de 4.263,5 mil toneladas em 2017 (CONAB, 2018), o Brasil caminha para uma nova safra de trigo com grandes expectativas para boas produtividades. Com chuvas significativas, até mesmo acima da média, o período de semeadura ocorreu em excelentes condições. No desenvolvimento da cultura, tivemos períodos marcados por baixas temperaturas proporcionando um excelente perfilhamento e estabelecimento do stand de plantas.

O trigo tem sido uma das alternativas para o cultivo de inver-no dentro de um programa de rotação/sucessão de culturas. No entanto, essa cultura, que já foi uma das mais importantes na garantia de renda ao produtor, enfrenta atualmente uma série de dificuldades financeiras e de incentivo ao cultivo. Problemas de ordem climática e fitossanitária também têm comprometido a produção e a qualidade do trigo produzido no Brasil, refletindo no baixo preço pago pelo produto.

Embora as previsões do clima sejam promissoras, o triticultor não pode abrir mão de realizar um excelente manejo fitossanitário visando manter o potencial produtivo da cultura. As doenças assumem grande importância neste caso, uma vez que comprometem a produtividade e a qualidade do trigo, afetando diretamente o retorno financeiro (REIS et al., 2001).

Nesta safra, tivemos uma forte pressão de Oídio que atacou quase que a totalidade de materiais genéticos presentes no campo. O Oídio, causado pelo fungo Blumeria graminis f. sp. tritici é uma das primeiras doenças foliares a ser observada na cultura do trigo (REIS & CASA, 2007). O dano causado por este fungo pode chegar até 60% do rendimento de grãos se não for controlado (LINHARES, 1988; REIS et al., 1997). A doença se caracteriza pela formação do micélio superficial, formações de aspecto cotonoso, em áreas limitadas ou sobre todo o tecido foliar.

Os sintomas são amarelecimento foliar, formação de ilhas verdes e morte foliar. Em altas severidades, toda planta pode ser atacada, iniciando, geralmente, a infecção na base da planta podendo atingir até a espiga, e com grande influência das condições climáticas para o desenvolvimento do patógeno. É um parasita biotrófico com efeito irreversível, que pode causar a morte do tecido lesionado.

O Oídio forma um grampo de infecção e emite para o interior da célula apêndices denominados haustórios, de onde retira nutrientes para seu desenvolvimento. O uso de cultivares com resistência genética e a aplicação de fungicidas, em tratamento de sementes ou em parte aérea, são os métodos mais utilizados e eficientes para o manejo eficaz desta doença.

Produtos à base de triazóis, tebuconazol e epoxiconazol vêm apresentan-do excelentes resultados no manejo desta doença. Através do trabalho realizado pelo Instituto Phytus, podemos avaliar a eficiência do manejo ADAMA no controle desta importante doença.

Nos dias de hoje, é extremamente importante também se ter um bom manejo fitossanitário para o controle de manchas na cultura do trigo.

Figura 2 - Complexo de Manchas da folha do Trigo

As principais manchas foliares de trigo no Sul do Brasil são causadas pelos fungos: Bipolaris sorokiniana (mancha marrom) e Septoria tritici (Septoriose ou mancha salpicada), e Drechslera tritici-repentis (mancha amarela). A mancha amarela é a mancha foliar mais importante da cultura na região Sul do Brasil (REIS & CASA,1996).

As manchas foliares ocorrem em todas as regiões tritícolas com elevada precipitação e com temperaturas que variam de 15ºC à 28ºC. Para que ocorra a infecção, é necessário um período de molhamento de pelo menos 30 horas durante o período de desenvolvimento da cultura. Os agentes que provocam a doença desenvolvem lesões necróticas com halo clorótico nas folhas crescendo de forma interna e externa, e possuem capacidade de sobreviver na semente.

O aumento desses fungos na lavoura está diretamente condicionado ao uso de sementes infectadas e à monocultura. Pelo ataque do complexo de manchas do trigo, pode-se contabilizar perdas de até 80% de produtividade dependendo da severidade. Além da rotação de culturas, é cada vez mais necessário termos produtos fungicidas robustos com concentração de triazol capazes de impedir altas infestações desta doença.

É comum vermos no campo práticas como o “turbinamento” de fungicidas com triazóis, a fim de se buscar um manejo mais eficiente para o controle de manchas. A ADAMA possui em seu portfólio o fungicida já turbinado GUAPO: excelente combinação de Epoxiconazol + Cresoxim, com uma alta concentração de ativos. Reis e Zannata, mostraram em trabalho conduzido em Passo Fundo-RS, incrementos significativos de produtividade em trigo com a utilização de fungicida formulado com o triazol epoxiconazol.

Não menos importante, a ferrugem da folha (Puccinia triticina) é a doença mais co-mum da cultura do trigo. Danos de até 80% já foram relatados devido à alta severidade em algumas cultivares e regiões.

O desenvolvimento de cultivares com resistência genética e a aplicação de fungicidas em parte aérea da planta são as principais estratégias de controle daferrugem da folha do trigo (REIS & RICHTER, 2007). Entretanto, a resistência à ferrugem da folha não é durável. O fungo apresenta grande variabilidade genética, o que resulta, frequentemente, no surgimento de novas raças capazes de sobrepor a resistência das cultivares desenvolvidas pela pesquisa. Um dos fatores que contribuem para a grande variabilidade de Puccinia triticina nas condições brasileiras é o cultivo contínuo de trigo entre diferentes regiões do país e também nos países vizinhos (Forcelini, 2007).

A ferrugem é uma doença que pode se manifestar do surgimento das primeiras folhas até a maturação da planta, ocorrendo em todas as partes verdes. As pústulas são circulares ou ligeiramente ovaladas, de cor laranja-amarelada e espalhadas na folha com ótimo desenvolvimento em temperaturas amenas, 15ºC a 20ºC, umidade relativa alta e molhamento foliar de 4 a 6 horas. Como medidas de controle da doença podemos mencionar o uso de cultivares resistentes/tolerantes e o controle químico com produtos que contém triazol, estrobirulina e protetores.

Gráfico 2 - Eficiência de Controle de Ferrugem em Trigo - Média de 5 anos - Fundação ABC

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REFERÊNCIAS:

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Levantamento de Grãos – Safra 2018.

FORCELINI, C.A. Trigo – Sanidade: Manejo e controle das principais doenças da cultura. In: REVISTA PLANTIO DIRETO, Ano XVI – N°99. Aldeia Norte Editora Ltda. Passo Fundo – RS. p 17-23. 2007.

LINHARES, W.I. Perdas de produtividade ocasionadas por Oídio na cultura de trigo. Fitopatologia Brasileira, v.13, p.74-75, 1988.

REIS, E.M.; CASA, R.T. Doenças do trigo VI: mancha amarela da folha. Passo Fundo, 1996. 16p.

REIS, E.M. et al. Efeito de Oídio causado por Erysiphe graminis f. sp. tritici, sobre o rendimento de grãos de trigo. Fitopato-logia Brasileira, v.22, p.492-495, 1997.

REIS, E.M. et al. Diagnose, patometria e controle de doenças de cereais de inverno. Londrina PR. MC Gráfica. 2001.

REIS, E.M.; CASA, R.T. Doenças dos cereais de inverno: diagnose, epidemiologia e controle. 2 ed. rev. atual. Lages: Graphel, 2007. 176p.

REIS, E.M.; RICHTER, R.L. Efeito de substratos sobre a germinação de uredosporos e comprimento de tubos germinativos de Puccinia triticina. Fitopatologia Brasileira, v.32, p.075-078, 2007.

REIS, E. M.; Zanatta, M. Efeito da adição de mancozebe às misturas de fungicidas triazóis + estrobilurinas na eficácia do controle das manchas foliares do trigo. Passo Fundo - RS, safra 2015.

 

 

Rafael Pegoraro Gai
Engenheiro Agrônomo de Desenvolvimento de Mercado Adama