Manejo de Doenças na Cultura da Soja

Cerca de 15 a 20% das reduções anuais de produção da soja têm as doenças como origem.

A soja é uma cultura de grande importância para o Brasil e é uma das principais culturas utilizadas no período da safra. Entretanto, são diversas as enfermidades que acometem e dificultam a obtenção de elevados níveis de produtividade. Aproximadamente 40 doenças causadas por fungos, bactérias, nematoides e vírus já foram identificadas no Brasil. Todavia, em função da expansão das áreas de soja no país esse número continua aumentando.

A importância econômica de cada doença varia ano a ano e de região para região, dependendo das condições climáticas de cada safra. Terror dos sojicultores, as doenças da soja estão entre os fatores que mais reduzem a produtividade da cultura e contribuem para o aumento dos custos de produção. Cerca de 15 a 20% das reduções anuais de produção da cultura têm as doenças como origem.

Entre as doenças fúngicas mais comuns, em dimensão nacional, na soja destacam-se a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), a mancha-parda (Septoria glycines), crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii), crestamento foliar (Corynespora cassiicola) e o oídio (Microsphaera difusa).

A ferrugem asiática é considerada uma das doenças mais destrutivas e a que causa maiores danos em várias espécies de plantas da família Fabaceae, entre as quais se destaca a soja (3*). No Brasil, há relatos de 100% de dano, como no caso de um cultivo de safrinha em Chapadão do Sul, MS (Andrade e Andrade, 2002). Os sintomas causados pela ferrugem asiática, no seu estado inicial, são facilmente confundidos com outras doenças, como pústula bacteriana (Xanthomonas axonopodes pv. glycines), crestamento bacteriano (Pseudomonas savastanoi pv. glycinea) e mancha parda (Septoria glycines). As frutificações não são muito evidentes, de modo que a olho nu se consegue distinguir pústulas ferruginosas, que conferem o nome comum a esse grupo de doenças (4*).

Os sintomas causados pela ferrugem da soja são denominados de “lesões”, e não de pústulas, como as demais ferrugens, porque ocorre a necrose do tecido foliar e cada lesão pode apresentar várias pústulas (Figura 1). Os sintomas (Figura 2) podem aparecer em qualquer estágio de desenvolvimento e em diferentes partes da planta, como cotilédones, folhas e hastes, sendo os sintomas foliares os mais característicos (1*). A cor das lesões varia do cinza-esverdeado ao marrom-avermelhado, com uma ou várias urédias globosas, principalmente na parte abaxial da folha (2*).

O estágio final da epidemia da ferrugem da soja numa lavoura caracteriza-se por amarelecimento geral da folhagem com intensa desfolha, chegando até a queda completa das folhas (3*).

Como tática de controle da ferrugem e também das outras doenças presentes no sistema produtivo da soja, o principal método utilizado é a aplicação de fungicidas. Após a entrada da ferrugem, ocorreu uma intensificação na sua utilização. Na safra 2013/14, foram realizadas em média três aplicações de fungicida em mais de 90% das áreas produtoras de soja no Brasil.

Dentre os principais modos de ação dos fungicidas utilizados no controle de doenças na cultura da soja no Brasil, destacam-se os Metil Benzimidazol Carbamato (MBC, benzimidazóis), os Inibidores de Desmetilação (DMI, triazóis), os Inibidores de Quinona Oxidase (QoI, estrobilurinas), os multissítios (principalmente Mancozebe e Clorotalonil) e, a partir de 2013, a nova geração de moléculas Inibidoras da Succinato Desidrogenase (SDHI, carboxamidas).

“Apesar da grande contribuição que os fungicidas sítio-específicos proporcionam no controle de doenças, seu uso intensivo pode ter como consequência a seleção de isolados de fungos menos sensíveis ou resistentes” (Figura3). Populações do fungo C. cassiicola resistentes a MBC (6*) e de P. pachyrhizi menos sensíveis a IDM e IQo têm sido relatadas (5*).

O número limitado de diferentes modos de ação de fungicidas disponíveis para controle de doenças na cultura da soja, associado a populações menos sensíveis de fungos já observadas no campo e a baixa eficiência de ingredientes ativos isolados, dificultam a utilização de estratégias de manejo de resistência como a rotação de modos de ação.

O uso de fungicidas multissítios associados aos sistêmicos, pode ser uma opção tanto de controle do complexo de doenças, quanto de estratégia antirresistência.

Considerando a identificação precoce da ferrugem asiática em lavouras de soja na safra 18/19, a dificuldade na evolução dos plantios em algumas regiões, a condição climática favorável ao desenvolvimento da doença, sobretudo pela frequência de chuvas, e o atual cenário de risco de evolução da redução de sensibilidade desta doença aos grupos químicos de mecanismo de ação específico mais utilizados hoje, o FRAC-BR faz o alerta quanto à necessidade de adoção de boas práticas de manejo:

  • Se atentar ao monitoramento constante das doenças da soja, especialmente a ferrugem, e realize as aplicações em intervalos adequados seguindo as recomendações do fabricante.
  • Realizar a aplicação dos fungicidas de forma preventiva, sempre em associação com fungicidas efetivos ao controle da doença.
  • Utilizar sempre misturas comerciais formadas por dois ou mais fungicidas com mecanismos de ação distintos.
  • Rotacionar fungicidas com diferentes mecanismos de ação (Triazóis, Estrobilurinas, Carboxamidas, Morfolinas e Multissítios).
  • Não ultrapassar o número máximo de 2 (duas) aplicações de fungicidas de mecanismo de ação específico no mesmo ciclo de cultivo.
  • Utilizar tecnologia de aplicação e volume de calda adequado para uma eficiente distribuição do produto sobre a planta.
  • Não plantar soja “safrinha”.
  • Respeitar o vazio sanitário e eliminar as plantas voluntárias remanescentes em lavouras e beiras de estrada (guaxas).
  • Procurar realizar o plantio na época recomendada, utilizando variedades de ciclo mais curto e quando possível, com tolerância genética frente à doença.
  • Realizar a rotação de culturas.

Estas recomendações são essenciais para se preservar a manutenção da eficácia dos fungicidas, uma tecnologia indispensável para o cultivo da soja.

“O uso de fungicidas multissítios pode ser uma opção tanto de controle do complexo de doenças, quanto de estratégia antirresistência.”

Com base nesse cenário, a ADAMA, empresa global do setor de agroquímicos, lançou o fungicida Cronnos, produto que conta com uma combinação tripla de princípios ativos, entre eles, um protetor multissítio. Esta combinação proporciona proteção completa para a soja, pois os seus mecanismos de ação atuam diretamente no fungo e de diferentes formas (Figura 4), dificultando sua entrada e evolução na planta.

Cronnos possui uma nova formulação líquida e exclusiva, chamada "T.O.V." que une os conceitos de "Tecnologia em formulação", "Operação simplificada" e "Valor ao produtor" (Figura 5).

Na mitologia grega, Cronnos é conhecido como o Deus do Tempo e é exatamente essa a palavra-chave da solução. Cronnos T.O.V. chega ao mercado para se tornar um aliado na corrida contra o tempo. Ele propõe parar o tempo da ferrugem e complexo de doenças, evitando que a doença entre ou evolua na cultura. O produto também flexibiliza o tempo, pois ele é eficaz em qualquer manejo. Por fim, a solução economiza o tempo do produtor graças à formulação de alta qualidade, agora em forma líquida, que proporciona alta aderência às folhas da soja e evita o entupimento dos bicos dos pulverizadores.

Esta combinação dos modos de ação de Cronnos faz com que o agricultor evite fazer misturas em tanque e a sua formulação líquida facilita a operação, evitando perda de tempo com pré-misturas e os entupimentos de bicos (Figura 6).

Cronnos apresenta excelente eficácia de controle para ferrugem e complexo de doenças na cultura da soja, proporcionando liberdade para o agricultor utilizá-lo em qualquer time de aplicação (Figura 7).

 

Benefícios do Cronnos®

  • Parceiro ideal da tecnologia BT;
  • Múltiplos modos de ação combinados;
  • Amplo espectro de controle;
  • Ferramenta para o manejo de resistência;
  • Produto com balanço ideal de ativos;
  • Formulação moderna e de alta qualidade;
  • Manutenção do potencial produtivo da soja;

REFERÊNCIAS:

(1*) ALMEIDA, A.M.R.; FERREIRA, L.P.; YORINORI, J.T.; SILVA, J.F.V.; HENNING, A.A.; GODOY, C.V.; COSTAMILAN, L.M.; MEYER, M.C. Doenças da soja (Glycine max). In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. (Ed.). Manual de Fitopatologia. São Paulo: Agronômica Ceres. 2005. 4 ed. pp. 569- 588.

(2*) Hartman, G. L., J. B. Sinclair, and J. C. Rupe. 1999. Compendium of Soybean Diseases (4ta Ed.). APS Press, Minnesota.

(3*) Reis, E. M., A. C. R. Bresolin, e M. Carmona. 2006a. Doenças da soja I: Ferrugem asiática. Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo.

(4*) Reis, E M., M. Zanatta, E. N. Moreira, R. Bogorni, L. Remor, e D. 2006b. A. Curva de progresso da ferrugem da soja em Passo Fundo-RS. Fitopatologia Brasileira 31 (Suplemento): S139 (Resumo).

(5*) SCHMITZ, H.K., MEDEIROS, C.A., CRAIG, I.R., STAMMLER, G. Sensitivity of Phakopsora pachyrhizi towards quinone-outside-inhibitors and demethylation-inhibitors, and corresponding resistance mechanisms. Pest Management Science, v. 70, p. 378–388, 2014.

(6*) XAVIER, S.A.; CANTERI, M.G.; BARROS, D.C.M.; GODOY, C.V. Sensitivity of Corynespora cassiicola from soybean to carbendazim and prothioconazole. Tropical Plant Pathology, v.38, p. 431-435, 2013.