Mosca-branca na Cultura da Soja

Com um alto poder de devastação, as perdas ocasionadas por esta praga podem ser superiores a 50% caso não ocorra controle.

A sojicultura é de suma importância na economia brasileira, sendo reconhecida por dar competitividade ao mercado brasileiro no cenário internacional. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab, 2018), a área plantada com essa oleaginosa na safra 2018/19, vem ocupando 36.125,6 mil hectares, atingindo um acréscimo de 2,6% em relação à safra 2017/18.

A Bemisia tabaci (Mosca Branca) era considerada uma praga esporádica no cultivo de soja, porém o seu nível de dano vem aumentando a cada safra, tornando-se uma das pragas-chave na cultura da soja (OLIVEIRA et al., 2018), intensificando seus danos no período da seca, onde o nível populacional da mosca branca é elevado.

A ninfa, também conhecida como fase imatura, apresenta 4 ínstares. No primeiro ínstar ela se movimenta e nos outros três instares, ela permanece imóvel porém, a todo momento se alimentando, exceto no momento pupal (transferência de ninfa para a forma adulta), variando seu ciclo de 15 até 48 dias para atingir a fase adulta (SANTOS, 2017).

Os danos ocasionados pela mosca branca podem ser classificados como indiretos e diretos. Os danos diretos ocorrem devido à sucção da seiva, sendo provocado tanto pela fase adulta como pelas ninfas. Com tal ação também ocorre a introdução de toxinas, causando deformidades em folhas e frutos, além de ocorrer a introdução de vírus.

Os danos indiretos são causados devido à transmissão de vírus dos gêneros: begomovirus, ipomovirus, torradovirus, carlavirus e crinivirus, sendo considerado o begomovirus o mais importante no complexo da soja, pois ocasiona: Soybean Crinkle Leaf Virus (SCLV), Soybean Blistering Mosaic Virus (SbBMV), Soybean Golden Mosaic Virus (SoyGMV), Soybean Chlorotic Spot Virus (SbCSV), Sida Mottle Virus (SiMoV) entre outros (COCO et al., 2013).

No Brasil, há apenas o relato do SbCSV, dentre as variadas doenças transmitidas pela mosca branca, porém, em regiões do norte da Argentina há relatos da ocorrência do vírus SiMoV (Rodríguez-Pardina et al., 2012).

Outro dano indireto é a ocorrência da fumagina (Capnodium spp.) - um fungo de coloração preta que se desenvolve sobre as folhas. O desenvolvimento desse fungo se dá devido à alimentação principalmente das ninfas. Neste processo, ocorre a excreção de uma pequena parte dos fotoassimilados ingeridos, onde se dá origem a uma substância açucarada conhecida como Honeydew. Esta mesma substância irá servir de ambiente para o desenvolvimento da Fumagina.

O prejuízo relacionado à fumagina é a redução da taxa fotossintética da planta. Pode ser ocasionada devido ao fato do patógeno se desenvolver nas folhas, evitando assim a absorção de luz.

Com isso, ocorre a redução da produção de fotoassimilados que está ligado diretamente a vários complexos fisiológicos para o desenvolvimento regular da planta, podendo assim, acarretar grandes perdas na produtividade, dependendo do estágio fenológico da planta e a severidade do fungo.