Nematoides no Algodoeiro

Os nematoides vêm se constituindo como um dos principais fatores responsáveis pela redução da produtividade na cultura do algodão.

por Danilo Silva

Na safra 2017/18 o algodoeiro foi cultivado em 1.174.700 ha no Brasil. A maior parte da produção se concentra no bioma do cerrado brasileiro. O Estado de Mato Grosso é o maior produtor com 66,2% da área cultivada, seguido pela Bahia, com 22,4%. Na mesma safra, o país produziu 2.005 milhões de toneladas de fibra com os ambos os estados liderando a produção, com 64,3 e 24,8%, respectivamente.

Um dos maiores problemas enfrentados pela produção agrícola mundial é a grande ocorrência e os danos causados por fitonematoides. Estima-se que a perda anual na produção na agricultura mundial seja de até 157 bilhões dólares. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas atingem mais de 35 bilhões de reais.

O Meloidogyne spp., também conhecido como “nematoide das galhas”, é considerado o principal gênero fitoparasita para as culturas agrícolas.

No Brasil são relatadas três espécies de fitonematoides causadoras de danos na cultura do algodoeiro: Meloidogyne incognita, Rotylenchulus reniformis e Pratylenchus brachyurus. Devido aos danos e, consequentemente, às perdas de produção provocadas, a principal espécie para a cultura do algodoeiro no país é o M. incognita. Em determinadas condições há relatos de perda de rendimento na ordem de 40-50%, com a utilização de cultivares suscetíveis em áreas infestadas. Nos últimos 20 anos, sua ocorrência e danos associados vem aumentando consideravelmente em importantes regiões produtoras no Brasil, chegando, por exemplo, a 25% das áreas de produção de algodão no Estado de Mato Grosso.

Os nematoides das galhas são endoparasitas sedentários. Induzem a formação de sítio de alimentação na região do estelo causando modificações celulares como a indução do aumento da divisão e multiplicação celular no córtex da raiz próximo do sítio de alimentação, resultando em galhas, principalmente nas raízes laterais. O parasitismo de M. incognita inibe ou bloqueia a translocação de água e nutrientes, bem como resulta em menor desenvolvimento radicular.

Seu ciclo de vida é de aproximadamente 28 dias. A temperatura tem grande influência no desenvolvimento do nematoide, com valores ideais entre 25 e 30 °C. Outro fator de grande influência sobre esse nematoide é a textura de solo, com preferência para textura arenosa.

A espécie Rotylenchulus reniformis, conhecido como nematoide reniforme, está amplamente distribuído nas regiões tropicais e subtropicais. É também mundialmente considerado um dos principais problemas fitossanitários do algodoeiro. Sua importância vem crescendo mundialmente, sobretudo nos últimos 15 anos. Aproximadamente 15% das áreas do Mato Grosso com algodoeiro estão infestadas com R. reniformis, sendo a maior concentração na região Sul do Estado, com 40%.

Esse nematoide tem grande capacidade de sobrevivência nas áreas agrícolas na ausência da cultura em função do elevado número de hospedeiros - dentre eles a soja - e da presença de mecanismos de resistência a condições extremas de umidade. Pode ser encontrado em diversos tipos de solo, porém apresenta tendência para solos de textura mais fina, siltosos ou argilosos.

É caracterizado como semi-endoparasita sedentário. Apresenta quatro estágios juvenis. A primeira ecdise ocorre ainda no interior do ovo e, após a eclosão dos J2, passam no solo por mais duas fases até tornarem-se adultos imaturos. As fêmeas imaturas, vermiformes, constituem-se no único estágio infectivo. Elas penetram nas raízes das plantas estabelecendo os sítios de alimentação nas células da região da endoderme, periciclo e nos tecidos do floema de raízes jovens. A infecção de reniformes não tem restrição quanto o posicionamento da infecção nas raízes, eles podem se alimentar em qualquer ponto ao longo de seu comprimento.

A cultura do algodoeiro é, sem dúvida, a que sofre maiores prejuízos em função do nematoide reniforme. Em campos com alto nível de infestação, as plantas podem apresentar sistema radicular com aspecto mais sujo, mesmo após lavado em água corrente. Isso ocorre devido à aderência de partículas de solo nas massas de ovos do nematoide. As plantas atacadas são menos desenvolvidas que o normal. Somente em ataque severo do nematoide, é possível visualizar sintomas de “carijó” nas folhas de algodoeiro.

A espécie Pratylenchus brachyurus, conhecida como nematoides das lesões radiculares, é a de maior ocorrência em área de produção de algodão no Brasil.

A ocorrência de P. brachyurus é favorecida por temperaturas em torno de 30ºC e solos de textura média de 15% a 25% de argila. Esse nematoide tem grande capacidade de sobrevivência na ausência da cultura principal. Primeiro, porque é uma espécie polífaga, com ampla gama de hospedeiros, incluindo inúmeras plantas daninhas e diferentes espécies de gramíneas cultivadas (muito usadas em cobertura de solo no sistema de plantio direto no Brasil Central). Segundo pelo fato de os ovos apresentarem resistência considerável, poden-do sobreviver no campo por determinado período. Este último fator é muito importante no período seco, na entressafra no Cerrado brasileiro. Há relatos de sobrevivência de P. brachyurus por até 21 meses em solo sem qualquer planta hospedeira e sem irrigação, em condições controladas.

Como endoparasitas migradores, os nematoides das lesões radicu-lares destroem tecidos das raízes, causando rompimento superficial e destruição interna, predispondo-os a infecções se-cundárias causadas por fungos e bactérias (exemplo a Murcha por Fusarium).

Os sintomas são inespecíficos e podem passar facilmente desa-percebidos ou serem confundidos com os causados por outros patógenos, deficiências nutricionais e estresse hídrico.

Levando em consideração as duas espécies de maior problema para a cultura do algodoeiro (M. incognita e R. reniformis), aproximadamente 35% da área do estado de Mato Grosso encontra-se com incidência de uma ou de outra espécie, valor que já pode estar mais elevado, visto que os dados apresentados são de um levantamento de 2015, e esse processo de disseminação é dinâmico e crescente caso não sejam aplicadas medidas de manejo para contenção do problema.

Considerando que a erradicação de fitonematoides é impossível em áreas agrícolas, associado à sua elevada capacidade de multiplicação e sobrevivência nessas condições, o manejo mais racional e eficiente desses parasitas é a forma integrada, envolvendo diferentes métodos de controle como o cultural, físico, químico, genético e biológico.

Controle de nematoides

A melhor estratégia para manejar nematoides nas diferentes culturas é a utilização de uma ou mais prática, pois os danos econômicos causados por esta praga estão ligados diretamente ao ambiente em que a cultura está instalada, podendo os fatores externos potencializarem ou minimizarem os prejuízos.

 

Algumas operações que são realizadas para o controle da praga:

  • Utilização de tratamento de sementes/sulco de plantio com nematicidas;
  • Eliminação de camadas compactadas;
  • Melhoria do equilíbrio do pH no perfil do solo;
  • Manutenção de bons níveis de potássio;
  • Aumento nos teores de matéria orgânica (coberturas verdes);
  • Utilização de biocontroladores (fungos e bactérias).

Frente ao cenário de dificuldade no manejo de nematoides nas mais diversas culturas no Brasil, a ADAMA, com propósito de criar soluções integradas de manejo que simplificam a vida do produtor, possui em seu portfólio, Nimitz, um nematicida real que controla as mais diversas espécies de nematoides.

Nimitz traz um novo grupo químico que atua de forma de contato e sistêmica, controlando os nematoides e diminuindo sua população no solo. Isso acontece porque Nimitz tem uma forte ação de controle em todas as fases do nematoide, controlando ovos, juvenis e adultos.

Nimitz também possui uma formulação moderna e de fácil aplicação, e que utiliza uma baixa dosagem por hectare. O produto também possui um perfil toxicológico e ambiental mais brando, garantindo maior segurança ao aplicador e ao meio ambiente, trazendo assim, maior sustentabilidade para a cultura do algodão.

Perfil toxicológico agudo

JMPR Report (2009)
EPA Fenamiphos IRED (2002)
EPA Carbofuran IRED (2006)
EPA AldicarbHED EFED Chapter(2006)

Raízes infestadas

Resultados de Controle

Resultados de Produtividade

Resultados de Colheita

 

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