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Evento insight herbicidas

Resistência de gramíneas redireciona pesquisas sobre herbicidas

Insight reune pesquisadores para discutir novas formas de combinar tecnologias para o manejo nas próximas safras.
Evento insight herbicidas

Londrina, 4 de novembro de 2026 – A busca por respostas às limitações no manejo de algumas plantas daninhas está ampliando o foco das pesquisas sobre herbicidas. Além da descoberta de novas moléculas, ganha espaço a investigação sobre como diferentes mecanismos de ação e formulações podem atuar de maneira complementar. Essa foi uma das principais tendências apresentadas durante o Insight Herbicidas, encontro técnico promovido pela ADAMA em 7 de outubro, em Foz do Iguaçu (PR), que reuniu pesquisadores da Embrapa Soja, do IMAmt e da Fundação ABC e discutiu novas formas de combinar tecnologias para o manejo nas próximas safras.

O uso repetido de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação pode favorecer a multiplicação de plantas daninhas resistentes. Isso acontece porque aquelas que já apresentam essa característica conseguem sobreviver às aplicações e produzir sementes, aumentando gradualmente a presença dessas populações nas lavouras. Com o passar das safras, produtos que antes apresentavam bons resultados podem perder parte da capacidade de controlar as infestações. A situação se torna ainda mais complexa quando uma mesma população apresenta resistência a diferentes mecanismos de ação.

O capim-pé-de-galinha esteve entre as principais preocupações dos especialistas, assim como o azevém resistente e outras gramíneas que apresentam dificuldades de controle em determinadas áreas. Também foram discutidas as limitações observadas com herbicidas inibidores da ACCase, grupo utilizado no combate a essas espécies. Entretanto, nem toda falha de aplicação significa necessariamente resistência, o que exige uma avaliação cuidadosa antes de definir as próximas intervenções.

“Quando o resultado de uma aplicação fica abaixo do esperado, é importante descobrir a causa antes de simplesmente trocar de produto. O histórico da área, o estágio de desenvolvimento das plantas e as condições da pulverização precisam ser considerados. Sem essa análise, o produtor corre o risco de repetir operações que não resolvem o problema”, explica Deborah Baruzo, gerente de Herbicidas da ADAMA.

Combinações e efeito residual ganham atenção

Uma das linhas de investigação destacadas pelos pesquisadores durante o encontro foi a associação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação. A proposta é compreender como essas ferramentas podem atuar de forma complementar e ampliar as opções disponíveis ao produtor. Entretanto, a mistura de ingredientes ativos não garante, por si só, melhores resultados. É necessário avaliar a eficácia de cada componente sobre a espécie-alvo, a seletividade para a cultura e as condições em que será utilizado.

Outro ponto importante é a diferença entre combater as plantas daninhas já presentes na lavoura e evitar o estabelecimento de novas infestações. Uma aplicação direcionada às espécies emergidas não impede necessariamente que outras apareçam nas semanas seguintes. Herbicidas com ação residual podem contribuir para reduzir esses novos fluxos de emergência, dependendo das características do produto, das condições do solo e do ambiente.

Essa discussão ganha relevância durante a implantação da safra de soja 2026/27, período em que a competição com plantas daninhas pode comprometer o estabelecimento e o desenvolvimento inicial da cultura. Em áreas com histórico de gramíneas resistentes, o planejamento precisa considerar as espécies presentes, os produtos utilizados anteriormente e o risco de novas infestações. A sucessão entre soja e milho acrescenta outra variável, já que as decisões tomadas em uma safra podem influenciar as opções disponíveis para a seguinte.

As novas biotecnologias de sementes tolerantes a herbicidas também estiveram entre os assuntos debatidos. Embora ampliem as ferramentas disponíveis, os especialistas ressaltaram que elas não eliminam o risco de resistência. Sua adoção precisa considerar as particularidades de cada sistema produtivo, incluindo a presença de plantas voluntárias e o planejamento das aplicações ao longo dos ciclos agrícolas.

Formulação também influencia o resultado

Diferentes formulações podem influenciar aspectos como a estabilidade do produto no preparo da calda, a distribuição durante a pulverização e o contato com a planta daninha. Nos herbicidas destinados ao solo, também podem interferir no comportamento do ingrediente ativo e em sua disponibilidade para atuar sobre novas emergências. Esses fatores ajudam a explicar por que o desempenho de uma solução não depende exclusivamente da molécula utilizada.

“A formulação é uma das peças dessa evolução. O caminho é reunir conhecimento sobre os diferentes mecanismos de ação, a forma como os produtos se comportam e as exigências de cada cultura. Os próximos avanços devem considerar cada vez mais essa integração de tecnologias e as particularidades dos sistemas agrícolas, para desenvolver programas que respondam às necessidades das lavouras”, afirma Deborah. 

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